Um
estúdio, uma história, sua vida... Um verdadeiro
arsenal de conhecimento.
Sentado
em frente ao piano, você...
Do
dedilhar de seus dedos, a melodia
De
repente o ambiente se enche de emoção, um som
inebriante toma conta do coração e da mente,
e somos levados pela magia da sua música.
A emoção que sentimos ao ouvir o som de seu
piano, não é diferente da emoção
que sentimos quando ouvimos suas histórias, quando
vemos a sinceridade de seu olhar azul, e sentimos a pureza
no seu sorriso.
A impressão que temos quando estamos ao seu lado, é
de que a vida é feita de música e alegria.
Sobre o compositor, muitos já escreveram, falaram,
outros tantos já ouviram suas obras, mas como é
bom falar sobre você, simplesmente Nilson Lombardi.
O professor que anda pelas ruas de nossa cidade, que com sua
simpatia e humildade conquista todos, vivendo com intensidade,
alegria e entusiasmo.
Mestre na arte de fazer amigos, sempre fiel, companheiro de
todos ao seu redor.
Mestre moleque, com adoráveis manias de gostar de coisas
antigas, carros “velhos”, sua cafeteira italiana,
seus relógios hilários.
Mestre bem humorado, que não desperdiça uma
chance de fazer rir com
suas piadas.
Mestre com estilo próprio, que não abre mão
de seu paletó e suas
inseparáveis gravatas,
Mestre
apaixonado, pela vida, pela família.
Mestre admirável,
Mestre amado,
Enfim, Nilson Lombardi, você é o Homem, Professor
e Mestre que segue formando alunos na arte e na vida.
Naiçara
Garbin
Jornalista
Sorocaba, fevereiro de 2003
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Tive
o privilégio de conhecê-lo (e já era consciente
disso) há mais de trinta anos. Foi minha amada professora,
Dona Maria de Oliveira Cordeiro, que nos fez encontrar convidando-o
para que me ouvisse numa audição e preparando-me
psicologicamente - o que ela sempre fazia com maestria singular
- para a responsabilidade do evento. Tocar para um ouvinte
tão ilustre foi um incentivo tão grande que
eu ainda sinto a tensão daquele empenho, vivido como
um sinal de transição, de passagem a um estado
de pré-amadurecimento. Ainda que não me lembre
precisamente do fato em si, como foi, como toquei, o que ele
me disse, está bem clara na minha mente a imagem de
uma impressão forte, emocionante, que causou grande
abertura no meu horizonte de idéias e principalmente
de questões. Lembro-me da forte impressão de
vivacidade, fineza e elegância que resultou daquele
encontro. Tantas outras qualidades, a sabedoria, a pureza
de sentimentos e o espírito livre de Nílson
já logo em seguida eu pude perceber, sem quase dar-me
conta do imenso privilégio que estava tendo.
Passei
a estudar no Conservatório de Tatuí - como Dona
Maria quis que eu fizesse - na classe de Eudóxia de
Barros, e Nílson, grande amigo também dela,
tornava ainda sobremaneira exclusivo o meu privilégio
levando-me de carona no seu mítico Karmann Ghia para
o conservatório, e de lá para o almoço
- junto com os mestres! - e de volta para casa, e para os
concertos, e ao cinema, e a comer pizza na Leiteria Americana
depois do Teatro Municipal, de São Paulo, a capital
que parecia lhe pertencer!
Não
sei descrever o quanto de Nílson eu recebi como ensinamento
de vida. Foi tanto grande e generoso o seu ‘ministério’
que somente em música poderia encontrar expressão
equivalente. Continuando meus estudos fui sempre fortemente
estimulado pelo seu requintado gosto musical, na idealização
do mais nobre repertório, percebendo deste as mais
admiráveis interpretações sempre através
do seu espírito crítico aguçado e nunca
dissociado da humildade e do grande respeito pela Música
em si, e pelos grandes músicos.
Inútil
dizer que todas essas qualidades são integrantes do
seu talento de compositor! Aprendi a conhecer a profunda verdade
- a alma sincera - por trás de cada nota escrita por
ele. De fato, o grande crítico musical e saudoso amigo
Dr. José da Veiga Oliveira escreveu que “Nílson
Lombardi é sempre sincero em cada nota que lança
ao pentagrama” e justamente esse dom, enriquecido pelos
conhecimentos que ‘cientificamente’ Camargo Guarnieri
lhe transmitiu mais a imensa bagagem espiritual da maravilhosa
pessoa que ele é o tornam um dos mais talentosos compositores
pianísticos da atualidade no Brasil, como bem define
Luis Roberto Trench, crítico do jornal O Dia.
Como
pianista de excelente formação, vinda da Escola
de Dona Maria e depois de Nellie Braga, Nílson enfrentou
obras pianísticas de grande envergadura (Concerto de
Schumann, Baladas de Chopin, Prelúdios de Scriabine…)
e essa conquista, comum somente a poucos compositores, o fez
voar com a imaginação por grandes espaços
e pináculos da técnica pianística, não
obstante a sua acentuada tendência ao estilo, como ele
diz, miniatural - isto é sucinto, essencial, não
no sentido que se pode hoje chamar minimalista, embora às
vezes o seja também (Miniatura n.1, por exemplo), mas
de decantado, sublimado, para citar novamente palavras do
Dr. Veiga. A “veia criadora” no seu caso jamais
leva à prolixidade, embora encaminhe idéias
densas e complexas tanto técnica quanto estruturalmente,
o que requer do intérprete uma árdua preparação.
Muitas de suas obras, como os Ponteios n.3, n.6, n.10, as
Variações sobre “ Mucama Bonita”,
o Estudo n.1 são verdadeiros desafios para os pianistas.
Mesmo após tantos anos, eu ainda estou lutando por
alguns deles! Alguém objetará: “Mas como?
Faz uma vida inteira que ele conhece e toca essas músicas,
e ainda está lutando para conquistá-las!”
Pois assim é. Quanto mais se sabe, menos se sabe. Bem
tendo tocado centenas de vezes, feito gravações
e ensinado a tanta gente suas obras, continuo redescobrindo
suas idéias, seus trajetos antológicos, sua
poética sobrenatural, sublime, e toda a história
que um grande amor pelo piano transformou num lindo jardim
acústico.
Fabio
Luz
Torino, julho de 2002